sexta-feira, 3 de abril de 2009

domingo, 29 de março de 2009

Dona Doida
      Adélia Prado


Uma vez, quando eu era menina, choveu grosso
com trovoadas e clarões, exatamente como chove agora.
Quando se pôde abrir as janelas,
as poças tremiam com os últimos pingos.
Minha mãe, como quem sabe que vai escrever um poema,
decidiu inspirada: chuchu novinho, angu, molho de ovos.
Fui buscar os chuchus e estou voltando agora,
trinta anos depois. Não encontrei minha mãe.
A mulher que me abriu a porta, riu de dona tão velha,
com sombrinha infantil e coxas à mostra.
Meus filhos me repudiaram envergonhados,
meu marido ficou triste até a morte,
eu fiquei doida no encalço.
Só melhoro quando chove.

Extraído do livro "Poesia Reunida",
Editora Siciliano - 1991, São Paulo, página 108.





domingo, 8 de março de 2009



nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo
duas
três
quatro
cinco
seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez.
Paulo Leminski

Esperança, sempre.................

A ESPERANÇA
Augusto dos Anjos
A Esperança não murcha, ela não cansa, Também como ela não sucumbe a Crença. Vão-se sonhos nas asas da Descrença, Voltam sonhos nas asas da Esperança. Muita gente infeliz assim não pensa; No entanto o mundo é uma ilusão completa, E não é a Esperança por sentença Este laço que ao mundo nos manieta? Mocidade, portanto, ergue o teu grito, Sirva-te a crença de fanal bendito, Salve-te a glória no futuro - avança! E eu, que vivo atrelado ao desalento, Também espero o fim do meu tormento, Na voz da morte a me bradar: descansa!

sábado, 7 de março de 2009



08 de março dia Internacional da Mulher